30 maio 2015

Não podemos mais ser boas pessoas


Outro dia chegou até mim uma daquelas mensagens de corrente que o pessoal só repassa e geralmente ignoramos. Porém o tema chamou minha atenção e decidi ler, se tratava de várias dicas de autoproteção para mulheres. Uma das dicas era "pare de ser boazinha", e alertava o risco que hoje é dar alguma informação à um estranho ou ajudar alguém com algo. Reli esse trecho da mensagem e senti meu coração apertar à medida que chegava à conclusão de que a violência está sufocando a nossa boa vontade.

Ano passado isso aconteceu comigo. Estava saindo da escola com mais 2 amigas, no mesmo curto caminho de sempre, indo ao ponto de ônibus. Tinha um garoto sentado num banco e, como ficamos sabendo mais tarde depois de discutir sobre o acontecido, nós 3 ficamos apreensivas quanto à aquele estranho no caminho, mas não queríamos julgá-lo pela aparência. Então quando este nos chamou para pedir uma informação nós paramos. Ao dizer que não poderíamos ajudar ele mandou que sentássemos do lado dele discretamente se não atiraria em nós.

É ofensivo e covarde quando outro ser humano te faz se submeter sob uma ameaça tamanha. Nos sentamos. Eu não tinha celular e foi o que disse quando ele pediu, as outras deram os dela. Ele não gostou, não eram caros.  Foram mais de 10 minutos enquanto ele explicava que precisava pagar a arma. Minha amiga - como boa cristã que é - se preocupou em falar que aquela vida não era pra ele. O jovem devolveu os aparelhos e disse que tinha ido com a nossa cara. Nos levantamos. Ele pediu um abraço, na hora não entendemos, mas depois ficou claro que ele só queria manter as aparências.

Depois de alguns passos do local nossa boa amiga cristã desatou no choro. Ela tinha sentado do lado dele, a outra do lado dela, e eu na ponta. Seguimos nosso caminho. Nos dias seguintes tomamos a precaução de sairmos em grupos maiores, felizmente nada parecido voltou a acontecer e nunca mais vimos o sujeito.

A nossa mútua incapacidade de julgar alguém pela aparência nos colocou em uma situação perigosa da qual, creio, felizmente Deus fez parte. Sentado no banquinho com nós quatro. O fato é que desde esse dia 3 pessoas aprenderam duramente que não poderiam mais ser prestativas. Que tinham sim que duvidar, que julgar. Não que tenhamos nos tornado pessoas ruins, mas não é lá grande coisa ser uma boa pessoa que não pode ser uma boa pessoa.

Selva, mais conhecido como Cidade Grande. Brincadeira, essa é uma avenida da minha cidade.


Semana passada um carro parou do meu lado enquanto eu atravessava a rua voltando da faculdade, era um automóvel grande e preto. Uma mulher baixou o vidro e perguntou onde ficava tal curso. Nunca tinha ouvido falar do curso. Me afastei do carro instintivamente enquanto falava que não sabia. Na verdade dei um pulo pra longe. Meu medo era que a porta se abrisse e alguém me puxasse pra dentro do carro e , oh não, eu não queria estar perto o suficiente para que tivessem a chance.

Fui grossa, nem dei atenção à mulher. Uma alma traumatizada que sou. Coberta de "tenha cuidado" e ensinada - pela vida - à desconfiar das pessoas. Incapaz de exercitar o amor ao próximo que Jesus tão insistentemente pregou.

Peço perdão à Ele. Por mim, por você, por todos.
Por termos chegado à isso.

E mesmo que talvez não tenha volta a boa notícia é que a perda não foi total. Mesmo que não seja possível confiar nas pessoas na rua, não deixe que a grosseria te faça ser grosso no seu ambiente de trabalho. Não devolva na mesma moeda. Continue dando bom dia. Continue pedindo desculpa, com licença. Seja cortês. Não espere o mesmo de volta, apenas seja.

Apenas continue.

4 comentários:

  1. Precisamos ter medo sim, mas tem que ser aquele medo controlado. Eu, por exemplo, ando na rua olhando para todos os lados e quando vejo uma sombra atrás de mim já olho pra ver quem é e se for alguém que aparenta ser estranho(a) já começo a andar mais rápido. Também já aconteceu deu ter ficado com medo de uma pessoa completamente inofensiva, mas andar na rua é isso né? É desconfiar até da sua própria sombra. No seu caso aí do garoto que tentou assaltar vocês, ele meio que deixou vocês irem embora sem machucar vocês porque vocês foram compreensivas e ele fez o mesmo, mas imagina se vocês fossem grosseiras? Melhor nem imaginar. E no caso da mulher de carro preto, é exatamente isso, ter medo, mas não ser grosseira, porque você não sabe se a pessoa tá ali realmente pra pedir uma informação ou fazer alguma maldade, então por via das dúvidas é melhor apenas tratar normalmente pra ver o que acontece. Eu sou assim, trato normalmente, se começa a me tratar de forma grosseira, aí eu abaixo o nível também :P hahaha! Enfim, adorei o post!

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    1. kkkkkk
      Sou dessas mais calmas que preferem nãoo descer do salto, na verdade quando alguém é grosseiro comigo eu nem sei o que fazer kkk qualquer coisa mas não me altero.

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  2. Oie chará haha !
    Entao, adorei o seu texto de verdade ! hoje em dia é dificil confiar em qualquer pessoa. algumas semanas atras fui roubada, em uma rua super movimenta, uma mulher linda e toda elegante me ''empurrou'' o cara do lado dela puxou o meu celular e logo em seguida os dois sumiram na multidao, ate hoje nao acredito que aquela moça jovem e linda era cumprisse daquele ladrao. Mas enfim, realmente as aparencias enganam, e é dificil nao duvidar das pessoas, mas tambem concordo que nao devemos nos tornar uma pessoa ruim e grosseira como essas pessoas são.
    Beijoooos e fique com Deus ;*

    http://dividindouniverso.blogspot.com.br/

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    1. Nome lindo demais o seu, viu! haha

      Acho que é difícil encontrar uma pessoa que ainda não tenha passado por uma situação assim.Que bom que gostou do texto, melhor ainda saber que entendeu o que realmente quis dizer.

      Fica com Deus também! :)

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